Fonte: https://www.buonenotizie.it/editoriali/2026/03/20
BuoneNotizie.it – Jornal registrado no Tribunal de Monza sob o nº 1787 em 23/02/2005 Número de registo ROC: 12656 – Diretor: Silvio Malvolti
A política a serviço do progresso e da esperança: o papel fundamental das boas notícias
Vivemos em uma época extraordinária. Nunca, na história recente, a humanidade fez progressos tão rápidos nos campos tecnológico, médico e social. E, no entanto, a percepção comum é frequentemente a oposta: tudo parece piorar, o futuro parece incerto e o presente está carregado de medo.
Como se explica esse descompasso entre realidade e percepção?
Parte da resposta diz respeito à forma como nos informamos. Hoje estamos imersos em um fluxo contínuo de notícias, selecionadas e amplificadas segundo critérios que favorecem aquilo que impacta, alarma e divide. As notícias negativas capturam mais facilmente nossa atenção: falam à nossa parte mais instintiva, aquela que sempre nos ajudou a reconhecer perigos. Mas aquilo que antes era um instrumento de sobrevivência corre hoje o risco de se tornar uma lente distorcida.
Se nos alimentamos quase exclusivamente de conteúdos que falam de crises, conflitos e fracassos, acabamos construindo uma visão de mundo parcial – não necessariamente falsa, mas incompleta. E uma informação incompleta produz cidadãos desorientados e desconfiados, mais inclinados ao medo do que à ação.
E, no entanto, a realidade é mais complexa e mais equilibrada do que parece. Ao lado dos problemas existem soluções. Ao lado das dificuldades há progressos concretos. Ao lado das tensões, histórias de colaboração, inovação e crescimento.
O ponto não é ignorar as criticidades – isso seria ingênuo e perigoso. O ponto é reconhecer que contar apenas uma parte da realidade acaba por deformá-la.
Aqui entra em jogo uma responsabilidade fundamental: a da informação, mas também a da política.
A política, de fato, não se limita a tomar decisões: contribui para construir o clima emocional e cultural de um país. A linguagem que utiliza, os tons que escolhe e as histórias que conta influenciam profundamente a percepção coletiva.
Nos últimos anos, no entanto, a linguagem política frequentemente se adaptou a dinâmicas conflituosas: simplificações excessivas, contraposições rígidas, ataques recíprocos. Uma comunicação mais orientada a descredibilizar o adversário do que a construir visões compartilhadas.
Essa abordagem pode funcionar no curto prazo, porque mobiliza emoções fortes. Mas, no longo prazo, tem um alto custo: destrói a confiança, alimenta o cinismo e reforça a ideia de que nada pode realmente melhorar. E quando os cidadãos deixam de acreditar na mudança, deixam também de participar.
Imaginemos, ao contrário, uma alternativa.
Uma política capaz de comunicar de maneira mais construtiva, sem renunciar ao confronto, mas evitando o pessimismo sistemático. Uma política que, ao lado da denúncia dos problemas, saiba valorizar aquilo que funciona, o que está melhorando, o que pode ser tomado como exemplo. Não se trata de “contar histórias fantasiosas”, mas de restituir a complexidade. De acompanhar a crítica com uma proposta. Ao medo, oferecer uma direção.
A confiança, de fato, não nasce da ausência de problemas, mas da percepção de que existem soluções e de que alguém está trabalhando seriamente para realizá-las.
Nesse sentido, a forma como comunicamos torna-se parte integrante da mudança. As palavras não são apenas descritivas: são generativas. Podem alimentar a resignação ou a responsabilidade, o fechamento ou a participação.
O mesmo vale para cada um de nós.
Cada pessoa tem hoje a possibilidade – e em parte a responsabilidade – de escolher a quais conteúdos se expor. Assim como escolhemos o que comer para o nosso corpo, podemos escolher o que “consumir” para a nossa mente. Uma dieta midiática mais equilibrada não significa ignorar os problemas, mas integrá-los com perspectivas, soluções e exemplos positivos.
Porque aquilo sobre o qual concentramos nossa atenção acaba moldando a nossa forma de pensar — e, portanto, de agir.
Se acreditamos que tudo está piorando, tenderemos a nos fechar e a reduzir nosso engajamento na sociedade. Se, ao contrário, reconhecemos que também existem sinais de progresso, estaremos mais inclinados a contribuir, inovar e construir.
No fundo, o verdadeiro desafio não é escolher entre otimismo e pessimismo, mas entre uma visão passiva e uma visão ativa da realidade. A primeira sofre o mundo tal como é percebido. A segunda participa de sua transformação.
Uma comunicação mais construtiva, tanto na informação quanto na política, não é um detalhe secundário: é um instrumento fundamental. Pode contribuir para formar cidadãos mais conscientes, mais confiantes e mais envolvidos. E, portanto, em última instância, uma sociedade mais capaz de enfrentar seus próprios desafios.
Porque o futuro não é apenas algo que acontece. É algo que, juntos, ainda podemos escolher construir.